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HTML5: a mudança depende de muitas pontas PDF Imprimir E-mail

 

O desenvolvimento na web não é algo simples nem é decidido de acordo com a vontade de cada um. Existem três grandes grupos que precisam "aprovar" uma determinada mudança para que ela se torne um padrão de mercado e comece a ser usada em projetos e websites. Estes três grandes grupos são:

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O W3C, que é um consórcio de empresas que regulamenta e cria os padrões web.

Os Browsers, que produzem os navegadores que são utilizados para acessar a internet. Os grandes hoje são Firefox, Internet Explorer, Chrome, Opera e Safari.

E o terceiro grupo são os desenvolvedores, que são as pessoas que de fato fazem a internet acontecer.
As novidades podem surgir por qualquer um desses três grupos. O detalhe é que a aprovação precisa ser unânime. É necessário que os três estejam satisfeitos com a ideia e com os resultados que essa nova tecnologia pode trazer para o usuário ?nal e para o processo de desenvolvimento. É interessante porque os três grupos estão misturados. Há membros dos fabricantes de Browsers dentro do W3C aprovando e tendo ideais novas, assim como os fabricantes de Browsers e o W3C aproximam os pro?ssionais do mercado para que eles trabalhem juntos durante todo o processo de aceitação de uma nova tecnologia.

Por isso, uma mudança depende das três pontas. Se os desenvolvedores tiverem uma ideia, mas os browsers e o W3C não aprovam, essa ideia logo morre. A mesma coisa acontece se o processo for inverso. Por isso é extremamente importante que os três grupos estejam de acordo. É aquele velho ditado de que uma andorinha só não faz verão.

O HTML5 foi a iniciativa de um grupo de insatisfeitos

O HTML5 é um caso muito interessante de iniciativa vindo das pontas para o centro, ou seja, os desenvolvedores e fabricantes de Browsers que tiveram a ideia e levaram para o centro do processo, até o W3C. O HTML5 foi criado por um grupo de insatisfeitos com a forma com que o W3C estava conduzindo o caminho da web.

Enquanto o W3C focava suas atenções para a criação da segunda versão do XHTML - que até então era a linguagem que estava substituindo o HTML antigo - um grupo chamado Web Hypertext Application Technology Working Group ou somente WHATWG trabalhava em uma versão do HTML que trazia mais ?exibilidade para a produção de websites e sistemas baseados na web.O WHATWG (http://www.whatwg.org/) foi fundado por desenvolvedores de empresas como Mozilla, Apple e Opera, em 2004. Eles não estavam felizes com o caminho que a Web tomava e nem com o rumo dado ao XHTML. Por isso, estas organizações se juntaram para escrever o que seria chamado hoje de HTML5.

Por volta de 2006, o trabalho do WHATWG passou ser conhecido pelo mundo e principalmente pelo W3C - que até então trabalhavam separadamente - que  reconheceu todo o trabalho do grupo. Em Outubro de 2006, Tim Berners-Lee anunciou que trabalharia juntamente com o WHATWG na produção do HTML5, em detrimento do XHTML 2.

O HTML é a cereja do bolo

Muita atenção tem se dado ao HTML5, mas a verdade é que não há mudanças profundas. O HTML5 serve como interface para que tecnologias como Javascript e CSS ganhem mais ?exibilidade, o que o torna na verdade um facilitador para essas duas linguagens.

O HTML5 possibilita que os desenvolvedores que utilizam Javascript em seus projetos tenham mais ?exibilidade para manipular elementos do código.

Muitas outras novidades que surgiram como Canvas e o SVG não são realmente novidades. Eles já existiam e funcionavam em alguns Browsers há algum tempo. O problema é que isso não era aceito diretamente no código HTML. Nessa nova versão isso já é possível.

Basicamente, o papel do novo HTML5 é, de certa forma, ser uma “tomada” para que as outras linguagens de web pluguem suas capacidades, e tenham mais ?exibilidade e controle.

Semântica: o que muda com o HTML5

A semântica quer dizer dar signi?cado à informação por meio de códigos. A informação pode ser, por exemplo, um simples título e um parágrafo. Por meio do código HTML, podemos dizer que determinada frase é um título. Esse código é lido e renderizado, por exemplo, pelos browsers, sistemas de buscas como o Google e leitores de tela utilizados por de?cientes visuais para navegar na internet. Por meio do HTML nós damos signi?cado a estas informações.

O HTML5 trouxe algumas novidades neste sentido. O desenvolvedor consegue dar para as informações de uma determinada página da internet muito mais signi?cado. Existem ainda novos elementos que facilitam a interpretação do signi?cado dessa informação.

Este é um grande passo para uma web com informações mais organizadas. A ideia é que todos os desenvolvedores deixem seus códigos mais semânticos e mais parecidos. Imagine que todos usarão o mesmo nome para algumas áreas do site. Isso será muito útil, pois irá facilitar a localização de uma determinada informação por sistemas, robôs e etc.

* Diego Eis é sócio-diretor da Visie Padrões Web, empresa especializada em desenvolvimento e criação para internet. Como consultor já atendeu equipes e gerentes de empresas como Google, Globo.com, iG, Yahoo!, UOL e outros. É palestrante sobre desenvolvimento client-side, é colunista da revista Wide e revisor técnico da editora Bookman no Brasil. Em parceria com outras empresas, já gerenciou o processo de desenvolvimento client-side da Natura Ekos, Brastemp/Consul, Bebês do Calendário Johnson, entre outros. Por meio do site Tableless (tableless.com.br) publica novidades sobre o desenvolvimento client-side e o mercado de Web no Brasil

 
Texto original publicado em http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=77307