Vantagem comparativa: Definição, teoria e exemplos

vantagem competitiva

A teoria da vantagem competitiva surgiu para que, por meio do livre comércio, os países com menor efetividade na produção também conseguissem se posicionar diante do mercado. Ou seja, essa teoria explica como estabelecer uma relação comercial entre dois players, mesmo que um deles possua vantagem absoluta sobre o outro.

O que é teoria da vantagem comparativa?

David Ricardo

Idealizada por David Ricardo, a teoria da vantagem comparativa buscava, por meio de um contraponto à teoria das vantagens absolutas de Adam Smith, criar uma nova ordem para economia mundial.

Mas o que é a teoria da vantagem absoluta?

A teoria da vantagem absoluta pretendia organizar o comércio internacional, levando em consideração a efetividade da produtividade de cada país.

Então se o país A (Portugal) produz o produto X (Milho) utilizando menos insumos em relação ao país B (Inglaterra), e o país B (Inglaterra) investe menos recursos para a produção do produto Y (Cerveja) em relação ao país A (Portugal), cada um deles deveria concentrar seus esforços onde possuem maior capacidade produtiva e, assim, passar a comercializar esses produtos entre si.

E como a teoria da vantagem comparativa contrapõe isso?

David Ricardo, por meio da teoria vantagem comparativa, contrapõe o principal conceito da vantagem absoluta de Adam Smith.

Ou seja, dessa vez considerando que o país A (Portugal) possui maior capacidade produtiva tanto do produto X (Milho) como do Y (Cerveja) em relação ao país B (Inglaterra), como ficaria a relação de comércio entre esses dois países?

Para explicar isso David Ricardo utiliza, em seu livro “The Principles of Political Economy and Taxation”, um exemplo:

Nele ele considera que entre Portugal e Inglaterra, o primeiro possui a maior capacidade produtiva, tanto em vinhos como em tecidos.

Porém, a fim de estabelecer uma relação comercial entre os dois, ele sugere que em vez de analisar a efetividade da produção de cada um, considere a efetividade relativa de produção de cada um.

Quer saber como fazer isso, o próximo tópico sobre custo de oportunidade vai explicar bem para você.

Custo de oportunidade

O custo de oportunidade é o conceito que melhor explica a teoria da vantagem comparativa. Isso porque ele mostra as produções relativamente mais eficientes de cada país e, portanto, sugere que eles importem os produtos com maiores custo de produtividade local e exportem os com menores custos de produtividade local.

Veja o exemplo abaixo.

Vinho 10 litrosTecidos 10 metros
Inglaterra120 h100 h
Portugal
(Se destaca em ambos os produtos, pois necessita de menos tempo para produzir)
80 h90 h
Total de horas200 h190 h

Na tabela acima, a quantidade de horas para Portugal e Inglaterra produzir a mesma quantidade de tecido e vinho em sistema de produção local, ou seja, sem a participação no mercado internacional.

Nela vemos que a quantidade de horas necessárias na Inglaterra são maiores que em Portugal para os dois produtos (Vinho e tecidos). Portanto vamos verificar o custo de oportunidade de cada um deles.

Então se calcularmos o custo nos baseando em quais produtos cada país deve deixar de produzir.  Percebemos que a diferença de insumos utilizados no vinho (120 – 80 = 40) é maior em relação aos tecidos (100 – 90 = 10). Para ficar mais claro, ilustraremos este exemplo abaixo.

Vinho (20 litros)Tecidos (20 metros)
Inglaterra
Não deve produzir200
Portugal160 Não deve produzir
Total de horas160200

Se Portugal produzir apenas vinho, e dobrar sua produção, em 160 horas, produzirá 20 litros, já a Inglaterra terá 20 metros em 200 horas.

Ou seja, cada pais deve “ficar no seu quadrado”. Agora, focados apenas em um produto, seria possível dobrar a produção. Assim podemos ver que, se Portugal e Inglaterra virarem parceiros comerciais, teremos um ganho em produção. Entenda isso vendo as horas utilizadas para produzir a mesma quantidade de tecidos e vinhos:

  • Antes (em sistema de autarquia – produção local):

Inglaterra = 100 + 120 = 220

Portugal = 90 + 80 = 170

Total = 390

  • Agora (considerando o custo de oportunidade):

Inglaterra = 200

Portugal = 160

Total = 360

Apesar de em um primeiro momento, termos a impressão de que Portugal, por ser mais produtivo em ambos os produtos, deveria produzir ambos produtos sozinho, se cada país focar apenas naquilo que apresenta a melhor relação de custo de oportunidade, o ganho geral aumenta. Ou seja, são menos horas necessárias para a mesma quantidade, sobrando assim 30 horas de trabalho para aumentar ainda mais produtividade dos países em questão.

Críticas à teoria da vantagem competitiva

Assim como outras teorias, a da vantagem competitiva também recebe críticas por não englobar todos os motivadores de uma economia. Veja o que dizem os profissionais sobre os equívocos da vantagem competitiva.

Fatores de produtividade

Na produção, seja de um produto ou até serviço, existem variados fatores de produtividade para levarmos em conta. Assim, podemos definir isso como um ato falho no cálculo do custo de oportunidade, afinal ele leva a mão de obra em consideração e deixa de lado outros custos, como insumos importantes para o processo.

Proporção na produção

Além dos fatores de produtividade ignorados, a teoria pouco aborda os diferentes custos e estágios de produção de cada produto. Voltando ao exemplo anterior, existem muitas variáveis que diferenciam a produção do vinha para a industria têxtil. Logo para compará-los seria necessário uma análise muito mais a fundo.

Taxas impostos e transporte

Olhando para o lado da parceria comercial entre os países, podemos concluir que a teoria da vantagem competitiva ignora os fatores de importação e exportação. Isto é, as políticas dos diferentes países, bem como os gastos com transportes, esses que ainda variam de acordo com a distância percorrida.

Oferta e demanda

Por fim, e talvez um dos maiores problemas da teoria da vantagem competitiva é trabalhar seus números baseados apenas na oferta. Visto que nem todos os países tem a mesma demanda por produtos alguns produtos, a ideal proposta de aumento na produtividade poderia causar o fenômeno de superprodução. Apesar de tudo, vale a pena entender o conceito e analisar outros aspectos da vida empresarial que possam se beneficiar da troca de serviços e produtos, entre parceiros comerciais…